Comunicação com a Geração Z: como as novas expressões afetam sua marca.
- Beatriz Andrade

- há 9 horas
- 3 min de leitura

Se você acompanha redes sociais, provavelmente já esbarrou em termos como rage bait, soft launch ou algorithm fatigue. À primeira vista, podem parecer apenas expressões da internet, mas a verdade é que esse vocabulário vai muito além de gírias.
Esses termos ajudam a nomear comportamentos, explicar tendências e, principalmente, interpretar como o público reage ao conteúdo. A Geração Z foi quem consolidou esse vocabulário, mas ele já se espalhou pelas redes e hoje influencia a forma como marcas são percebidas, criticadas ou valorizadas.
O ponto aqui não é “falar como a Gen Z”, nem tentar parecer jovem a qualquer custo. É entender o que está sendo dito para não perder contexto, reputação e oportunidades.
A seguir, explicamos algumas dessas expressões e por que elas importam diretamente para a comunicação publicitária.
Rage Bait
Conteúdo criado para provocar raiva, indignação ou conflito, com o objetivo de gerar engajamento.
Na prática, é quando uma marca ou criador posta algo propositalmente polêmico para atrair comentários, discussões e compartilhamentos.
Por que isso importa? Se um conteúdo seu começa a ser chamado de rage bait, o público não está debatendo sua ideia, mas questionando sua intenção. Isso pode gerar alcance no curto prazo, mas desgasta a credibilidade da marca rapidamente.
Parasocial
Refere-se à relação emocional que pessoas criam com marcas, criadores ou empresas, mesmo sem uma relação real ou direta.
É quando o público sente que “conhece” a marca, confia, defende e se envolve emocionalmente.
Por que isso importa? Muitas estratégias de conteúdo hoje dependem dessa conexão. Quando mal conduzida, pode soar forçada ou manipuladora. Quando bem trabalhada, cria comunidades fiéis e defensores espontâneos da marca.
Micro Retirement
A ideia de fazer pausas estratégicas ao longo da vida profissional, em vez de esperar pela aposentadoria tradicional.
Essa mentalidade influencia como a Gen Z enxerga trabalho, consumo e tempo.
Por que isso importa? Marcas que ignoram esse comportamento tendem a parecer desconectadas da realidade atual. Comunicação que valoriza equilíbrio, flexibilidade e qualidade de vida costuma gerar mais identificação com esse público.
Beige Flag
Algo que não é exatamente negativo, mas também não encanta. É neutro, morno, esquecível.
Por que isso importa? Uma marca “beige” não é odiada, mas também não é lembrada. No digital, isso é um problema sério. Ser neutro demais pode significar desaparecer no meio de tantos estímulos.
Girl Math / Boy Math
Formas irônicas de justificar decisões de consumo a partir de uma lógica emocional, não racional.
Por que isso importa? Mostra como o consumo hoje é muito mais narrativo do que lógico. As pessoas compram histórias, sensações e justificativas simbólicas, não apenas produtos.
Aura Farming
Construção intencional de uma imagem, estética ou presença que transmite status, autenticidade ou carisma, mesmo sem ações explícitas.
Por que isso importa? Muitas marcas estão fazendo aura farming sem perceber. Outras tentam, mas falham por não entender que aura não se força, se constrói com consistência, identidade e coerência.
Nillenial
Uma mistura de comportamentos da Gen Z com hábitos dos millennials.
Por que isso importa? Mostra que o público não é mais tão segmentado por idade. A comunicação precisa ser mais comportamental do que demográfica.
AI Slop
Conteúdo gerado por inteligência artificial de forma genérica, repetitiva e sem valor real.
Por que isso importa? O público já reconhece quando algo é vazio, automático ou feito sem intenção. Isso aumenta a rejeição a conteúdos mal pensados e reforça a importância de direção criativa e curadoria humana.
Algorithm Fatigue
Cansaço causado pela tentativa constante de “agradar o algoritmo”.
Por que isso importa? Marcas que vivem reféns de tendências e formatos acabam perdendo identidade. Hoje, consistência e clareza valem mais do que tentar vencer o algoritmo a qualquer custo.
Soft Launch
Lançamento discreto, sem grandes anúncios, testes ou alarde.
Por que isso importa? Nem tudo precisa ser grandioso. Muitas estratégias funcionam melhor quando começam pequenas, testam reação e ajustam antes de escalar.
O que tudo isso diz sobre comunicação com a Geração Z?
Essas expressões não existem por acaso. Elas surgem porque ajudam a explicar como as pessoas se sentem, reagem e avaliam conteúdo.
Para empresas, o risco não é não usar esses termos. O risco é não entender quando eles surgem, não perceber sinais de desgaste, rejeição ou oportunidade.
E aqui está o ponto-chave: acompanhar esse vocabulário, interpretar contextos e traduzir isso em estratégia, exige atenção constante e leitura de cenário.
É exatamente por isso que muitas marcas percebem, em algum momento, que não basta postar. É preciso pensar, analisar, ajustar e construir comunicação com intenção.
Na Agência 2PX, esse acompanhamento faz parte do processo. Não para “falar como a Gen Z”, mas para entender o que está sendo dito, como está sendo interpretado e como isso impacta os resultados dos nossos clientes.
Porque a comunicação com a geração z não é só seguir tendências. É entender o contexto antes que ele cobre o preço da desatenção.


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